Mesmo apos meses segue este que vos escreve sem conseguir formular uma idéia firme concreta sobre a qual possa dissertar.Porem a poucos dias um amigo me apresentou um texto que não acreditei. Sabe aquela coisa que você queia ter feito , aquele texto que você queria ter escrito aquela frase que queria ter dito aquele momento que é a sua sintese contudo fora feito por outro.
Venho a anos tentando escrever sobre aquela que é a maior festa do mundo, mas sem sucesso, ate que ele conseguiu. Sim é verdade, tomarei a liberdade e farei uso de seu texto Rodrigo Quaresma Marques Soares. Pois bem, chega de converda ai esta.
SAUDAÇÕES CARNAVALESCAS! (Breve comentário.)
Sexo seguro é masturbação; todo o resto é arriscado. Risco de se perder, de se encontrar e, até mesmo, risco de gozar... De prazer. O carnaval é assim, uma festa eminentemente sexual, aquela época em que é permitido se fazer tudo aquilo que não foi feito durante o ano.
O carnaval é uma grande catarse coletiva, onde todas as delícias são consideradas, todos os pecados cometidos, um reencontro súbito e voraz com o corpo historicamente renegado. O homem contemporâneo precisa do carnaval assim como precisa da sexta-feira... Precisa trair a sua mulher para sustentar por mais um dia a monogamia social, precisa de drogas para suportar tanta realidade e de futebol para evitar fazer revolução.
É isso aí, e não me venha bancar o moralista de última hora, no bloco, ninguém é de ninguém, "quem tá na chuva é pra se molhar", e é mesmo aquele "ROÇA-ROÇA"... Mas, tá tudo bem, leva na esportiva, é quase justo, é CARNAVAL! A mesma sociedade que reprime te convida agora a se liberar, "vá entender"... Mas não se engane - é tudo funcional.
Como não estremecer ao som da bateria?! É humanamente impossível, aquilo é vigoroso, repleto, é um chamamento à vida! "Eu também dancei ao ritmo do funk...", já foi dito, admito que hoje também arrisquei alguns passos...Afinal, eu sou preto e, assim como o brasileiro que não gosta de futebol não é brasileiro, PRETO QUE É PRETO TEM QUE SABER SAMBAR(Ah, tem que ter pau grande também!).
Eh, olha só, agora é a vez das "mulatas"... Lá vêm elas... Glamourosas... Soberanas... Atenção mulher negra, muita atenção, "chegou a hora!", é carnaval, assuma o seu lugar na História, cumpra o papel que te cabe: O DE PUTA! Mulheres negras desfilam feito gado pela avenida, estão satisfeitas e exibem um largo sorriso no rosto, ali encontram o seu lugar, seus "15 min de fama", ali são aceitas pela sociedade branca. TODA GLÓRIA E TODO AMOR DA MULHER NEGRA REPRESADAS PELA CONDIÇÃO DE VACA NOS CURRAIS DA AVENIDA, puro fetiche!, (des)identificadas, elas se comprazem em ser o objeto da perversão branca.
A mulher negra é assim: VOCÊ TRANSA, MAS NÃO CASA E, SE CASAR, VOCÊ NÃO TEM FILHOS. "O quê, eu? ter um filho preto?!" Como é mesmo aquela expressão que as meninas brancas da classe média usam quando querem se referir ao absurdo indesejável?: "Quase tive um filho preto!" , e riem, o riso fácil e destituído de qualquer amargura próprio de quem é aceito, como quem ri ante a impropriedade do filho de um cavalo com um passarinho...
A mulata- essa entidade - é mesmo uma máquina de fazer sexo, aquela bunda enorme, aqueles seios; é metade animal, metade mulher, quase uma sereia, só que sem a sua ludicidade e numa condição totalmente degradante. Mas parece, meus caros, que a consciência é mesmo impotente diante das paixões do corpo... Eu olhava a cadência bonita daquela bunda, banda esquerda, banda direita, e pela primeira vez na vida desejei ser centro (risos).- essa foi péssima, admito... Eu olhava fixo para aquele fenômeno, a visão começou a turvar... eu já não ouvia a multidão, meus pés relativizaram... perdi o contato com o tempo, com a sorte...
Um comentário:
Qual foi sua intenção de repassar esse texto?
Chocar?
Ofender?
Expressar?
Ou apenas dividir algo diferente?
Pois tal texto e muito, muito forte.
E quando digo forte, quero dizer agressivo.
Eu como negra, não desfilo no carnaval, como um belo pedaço de bisteca, suculento e bem passado. Para só ser tida, apenas como um pedaço de carne !!!!!!
Exibo sim, graça, avides, exuberância e claro abrindo mão da hipocrisia, quando necessária liberdade de expressão e atitude.
Ofende-me ver minha cor e meu gênero sendo tão depreciados.
Belo texto porém, o mesmo permite-se liberdades ofensivas.
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